Em sessão especial no Senado, médicos cobram valorização do SUS


Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado



Senadores e profissionais de saúde destacaram, em sessão especial comemorativa do Dia do Médico, nesta segunda-feira (31), a importância da categoria, lembrando, em especial, o esforço no enfrentamento da covid-19, e cobraram melhores condições de trabalho e valorização do Sistema Único de Saúde (SUS). A sessão especial foi realizada a requerimento (RQS 648/2022) do senador Izalci Lucas (PSDB-DF), que também presidiu a cerimônia.

Na abertura dos trabalhos, Izalci resumiu aspectos da “enorme entrega pessoal” dos médicos na formação e no exercício profissional, e chamou atenção para o desempenho da medicina no combate à covid.


— Vieram as vacinas e os cuidados, mas é certo que perdemos muitas vidas, entre elas muitas mortes de médicos e de demais profissionais da saúde. O desafio que enfrentaram e os sacrifícios que fizeram foram de tal tamanho que merecem aqui, na data de hoje, o nosso imenso respeito e admiração — disse Izalci.

O senador Nelsinho Trad (PSD-MS), que é médico, lembrou que, a partir de 1º de fevereiro o Senado terá oito médicos no exercício de mandato. Ele afirmou o compromisso da Casa em buscar o aperfeiçoamento das pautas de saúde no país.

— Saúdo a todos os médicos brasileiros, na certeza de que nada substituirá, com o avanço tecnológico que for, o dom divino que nós médicos devemos ter para aliviar, confortar, curar aquele que nos procura — resumiu.


Já o senador Guaracy Silveira (PP-TO) homenageou os médicos que deram a vida em prol da humanidade e os que contribuíram com o avanço da ciência.

— Lembro-me que, nos anos 40, o índice de longevidade no Brasil era de 46 anos; hoje nós estamos na base de 76, 79 anos. Vejamos bem que tudo isso é avanço da medicina, é conhecimento, é melhor ciência, é melhor pesquisa — afirmou.

Marta David Rocha de Moura, diretora da Escola Superior de Ciências da Saúde (Escs), associou o avanço da ciência médica ao aumento da qualidade de vida dos idosos e à possibilidade de pleno desenvolvimento das crianças. Ela manifestou a esperança de que, em futuro próximo, os médicos possam celebrar a melhoria das condições de trabalho no SUS, com aprimoramento de salários, jornadas de trabalho e condições de formação acadêmica.


— Ao comemorar o dia 18 de outubro nós estamos reconhecendo o valor desses trabalhadores que obtêm sua recompensa ao ver uma vida sendo salva. Na maioria das vezes somos rostos anônimos, que muitas vezes você encontra nas madrugadas, amarrotados, cansados, sem um salário digno e que cuidam desses indivíduos, cuidam de suas feridas, tratam de sua alma — definiu.


Sidney Sotero Mendonça, superintendente da região Leste da Secretaria de Saúde do Distrito Federal, chamou a categoria ao “senso de missão”, especialmente no SUS, e expressou preocupação das sociedades médicas com a qualidade da formação técnica e ética dos profissionais em face da proliferação de cursos de medicina.

— Segundo Hipócrates, tratar frequentemente, curar às vezes, mas confortar sempre. Desde então, já existia um foco na humanização, um foco no outro, um foco no serviço, e hoje vemos muitos jovens procurando a medicina numa ilusão de status social, buscando confortar apenas o próprio ego — criticou.


Marcela Augusta Montandon Gonçalves, presidente do Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal, apontou problemas de financiamento e de estrutura nos serviços de saúde, mas enalteceu a “entrega pessoal” que caracteriza a profissão.

— Mesmo com todas as dificuldades, quando nós médicos conseguimos recuperar a saúde das pessoas, percebemos que escolhemos a profissão certa e nos alegramos da nossa jornada. Graças a essa dedicação constante, muitas vidas são salvas e muitas dores são curadas.


Também o Presidente do Conselho Federal de Medicina, José Hiran da Silva Gallo, citou o “total desprendimento” que os médicos demonstraram diante da covid, mesmo sob condições precárias de trabalho.


— Graças ao trabalho dos médicos e dos demais profissionais de saúde, milhões de brasileiros superaram o coronavírus e conseguiram escapar das estatísticas de mortalidade. Nos postos de saúde, nas emergências e na beira dos leitos de internação e da UTI, quem estava oferecendo suporte ao paciente e liderando as equipes de saúde eram os médicos brasileiros — lembrou.


Gallo também apresentou reivindicações da categoria, como a tomada de medidas que assegurem o respeito aos direitos do paciente, o fortalecimento do SUS e o controle sobre as condições de formação de novos profissionais.


A diretora do Instituto de Cardiologia e Transplantes do Distrito Federal, Adenalva Lima de Souza Beck, apelou aos senadores para que zelem pela “saúde financeira” das instituições filantrópicas de atendimento médico. Gustavo dos Santos Fernandes, diretor nacional de oncologia da Rede Dasa, saudou a “função espetacular” dos médicos durante os 30 meses de pandemia e apontou como “deficitárias” as tecnologias oferecidas em face das tabelas “atrasadas” de ressarcimento pelo SUS.


O oftalmologista Rodolfo Alves Paulo de Souza pediu “carinho, zelo e empatia” aos futuros médicos. O psiquiatra Ulysses Rodrigues de Castro lembrou os esforços no tratamento da covid e chamou as entidades médicas a lutar por uma carreira sólida em nível nacional.

Raquel Medeiros, gestora pública e endocrinologista, disse que o período de pandemia exigiu dos médicos “esforço adicional de compromisso, integração, compreensão e capacidade inventiva”. Gutemberg Fialho, presidente da Federação Nacional dos Médicos (Fenam), reafirmou o compromisso dos médicos de proporcionar qualidade e melhorar a vida do povo.


Também discursaram, entre outros, a obstetra Danielle do Brasil de Figueiredo, o infectologista Paulo Giovanni Pinheiro Cortez, e a coordenadora da Faculdade Unieuro, Andréa Franco Amoras Magalhães.

O Dia do Médico é celebrado anualmente em 18 de outubro. A data é associada pela Igreja Católica à figura de São Lucas, que era médico e é declarado padroeiro da profissão.


Fonte: Agência Senado




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